quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A1.2 - Concordância do verbo

O verbo concorda com o sujeito de forma diferente, consoante se trate de uma frase nominal (iniciada por um nome) ou verbal (iniciada por um verbo).

No primeiro caso, o verbo concorda em número com o sujeito:

جمال ومنصور كتبوا رِسالة
O Jâmal e o Mansûr escreveram uma carta

No segundo caso o verbo concorda apenas em género com o sujeito, não em número:
كتب جمال ومنصور رسالة
O Jâmal e o Mansûr escreveram uma carta

Note-se que o sentido da frase não sofre alteração, quando traduzida para português.

N.B.: quando o sujeito não está expresso, vindo de oração anterior, o verbo retoma o acordo em número, mesmo tratando-se de frase verbal:

كتب جمال ومنصور رسالة ثمّ رجعوا إلى بيتِهِم
O Jâmal e o Mansûr escreveram uma carta e depois regressaram a sua casa

A1.2 - Pronomes pessoais

Quadro completo dos pronomes pessoais

Singular

eu: أنا
tu (m): أنتَ
tu (f): أنتِ
ele: هو
ela: هي

Dual

vós: أنْتُما
eles/elas: هُما

Plural

nós: نَحْنُ
vós (m): أنْتُم
vós (f): أنْتُنَْ
eles: هُم
elas: هُنَّ

A1.2 - Dual . 01 . nomes

O Árabe tem, além do singular e do plural, o número Dual, usado para se referir a duas entidades.

O Dual dos nomes obtém-se da seguinte forma:

كتابٌ ----> كتبان
كتاباً ----> كتبَين

جامعةٌ ----> جامعتان
جامعةٍ ----> جامعتِين

Isto é: ao caso sujeito acrescenta-se ـان , ao caso directo e indirecto acrescenta-se ـَين . Nos femininos terminados em ة , este desdobra-se em ت antes de receber as marcas de Dual.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Poesia contemporânea - Livros

Chegaram-me hoje dois livros, duas edições bilingues (Árabe - Inglês) de poesia árabe contemporânea:

- Victims of a Map: A Bilingual Anthology of Arabic Poetry
- Love, Death and Exile: Bilingual Edition: Poems Translated from Arabic: Bilingual Edition

Mais duas oportunidades para conhecer esta literatura quase ignorada no mundo ocidental.

7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo


O filão parece inesgotável, e eis mais 7 Maravilhas. Desta vez as de origem portuguesa no mundo. Das candidatas há duas em países de língua árabe:
- Al-Jadîda (Marrocos) - a terra da ٲستاذتنا !

- Sítio arqueológico de Qal'at al-Bahrain (Barém)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Cinema - "Le grand voyage"


Réda só entende árabe marroquino, o que aprendeu em casa com os pais, imigrantes em França. Só entende. Não fala. Os diálogos com o pai são assim. Réda fala em francês, o pai em marroquino. Um dia o pai sente a morte chegar e ainda não foi a Meca. E tem de ser de carro. Réda não gosta da ideia, e é de má vontade que se mete à estrada com um pai que quase não conhece. Um road movie ao longo da bacia mediterrânica, de França a Meca, falado a meias em francês e em marroquino. E há aquela cena em que, já na Arábia Saudita, o pai fala em árabe padrão com os restantes peregrinos, perante a incompreensão de Réda. "Ele só sabe falar marroquino, nunca aprendeu árabe tradicional, fez a escola em França, não nos percebe".

Cinema - "Exils"


Naima é francesa, descendente de argelinos. Da pátria dos antepassados não guarda muito mais do que o nome. Zano é francês, filho de pieds-noirs. Um dia partem em busca das raízes, pelas estradas de França e Espanha, e cruzando o Mediterrâneo. Um filme de paisagens e música, onde nem sempre é fácil perceber onde se está: se na Andaluzia espanhola, entre os apanhadores de fruta magrebinos, onde se fala árabe e se lêem grafiti árabes nas paredes, se nas costa argelina. A banda sonora é muito interessante, misturando, por vezes de forma desconcertantemente imperceptível, o flamenco com a música popular magrebina e a música electrónica. Para aguçar o apetite, uma das cenas do filme, já na Argélia natal de Naima.


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Materiais de língua árabe no Project Perseus

Originalmente vocacionado para os estudos clássicos greco-latinos, o Project Perseus tem agora também uma secção de materiais árabes:

  • várias edições em inglês e em árabe do Alcorão, pesquisáveis;
  • o Advanced Learner's Arabic-English Dictionary, de Anthony Salmone;
  • a Arabic Wordlist, de Buckwalter.
Estes dois últimos e preciosíssimos instrumentos pressupõem o manejamento do sistema de raízes.

(Infelizmente os anos passam, mas o acesso ao Perseus continua a ser dramaticamente lento. Talvez fosse boa ideia fazer um peditório para lhes oferecer servidores decentes.)

domingo, 9 de novembro de 2008

Poesia árabe contemporânea

Nesta página tenho vindo a colocar poesia árabe contemporânea, traduzida por mim, com a preciosa ajuda da Nádia.

A1.1 - Sessão 01 - 2008.10.27

طلبتي وزملائي الأعزّاء

أخبركم بأنّ درسنا الأوّل من اليوم السّابع والعشرين (27) م
من أكتوبر تجدونه على العنوان الإلكترونيّ التّالي: ن


طَلَبَتِي وَزُمَلَائِي الْأَعِزَّاء

أُخْبِرُڪُمْ بِأَنَّ دَرْسَنَا الْاَوَّلَ مِنَ الْيَوْمِ السَّابِعِ وَالْعِشْرِينَ (27) مِنْ أُكْتُوبِرَ تَجِدُونَهُ
ت
عَلَى الْعُنْوَانِ الْإِلِڪْتْرُونِيِّ التَّالِي: ن


ṭálabat-ī ua-zumalā’-ī [a]l-ả‘iz.zā’

ủchbíru-kum bi-ản.na dârsa-nā [a]l-âu.ual mina [a]l-iâumi [a][l]s-sābi‘ ua-[a]l-‘ixrīn min ủktūbir ta[d]jidūna-hu ‘alā [a]l-‘un.uāni [a]l-ỉliktrūniyyi [a][l]t-tālī:



Caros alunos e colegas,

Informo-Vos que a nossa primeira aula de 27 de Outubro está disponível no seguinte endereço electrónico:



http://cli.arabe.docs.googlepages.com/A1.1-Sesso01-2008.10.27.pdf

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A despedida de Mahmud Darwish


Em memória de Mahmud Darwish, morto a 9 de Agosto de 2008.

A1.2 - Sessão 03 - 2008.11.05

  • Recortes de imprensa sobre actualidade: a eleição de Barack Obama
  • Expressão do tempo
  • Meios de transporte
Os ficheiros distribuídos podem ser obtidos aqui:
http://cli.arabe.docs.googlepages.com/a1.2-08.11.05.zip

NB: Mais tarde estará disponível uma versão da lista de verbos
vocalizada e com as formas de imperfeito



TPC
: fazer um pequeno texto a contar como foram os dias antes da próxima aula.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Obama na al-Jazîra




باراك أوباما

مُرْشِح الحِزْب الديمقراطي


وُلِد مِن أَب كيني مُسْلِم وأُمّ أَمْريكيّة

مِن وِلاية كنساس


تَخَرَّجَ مِن كُلّية

الحقوق بِجامِعة هارْفَرْد


أَوَّل سيناتور أَسوَد في مَجْلِس

الشُيوخ وأَصْغَرهم سِنأً


الاِنْتِخابات الأمريكية

تَغْطية مُسْتَمِرّة

على شاشة الجزيرة

Barack Obama
Candidato do Partido Democrata

Nasceu filho de pai queniano muçulmano e mãe americana
do estado do Kansas

Licenciou-se na Faculdade
de Direito da Universidade de Harvard

Primeiro senador negro no
Senado e o mais novo de idade

As eleições americanas
Cobertura contínua
no écran da al-Jazîra


Vocabulário por ordem de aparição

مُرْشِد – candidato
حِزْب – partido
وِلاية – estado
حُقوق – direito
كُلّية – faculdade
مَجْلِس – assembleia
شُيوخ – senado
تَغْطية – cobertura
مُسْتَمِرّ - contínuo
شاشة – écran

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

دام - hip-hop palestino


http://www.dampalestine.com

DAM pode ser lido como acrónimo de Da Arabian MC's, mas não deixa de remeter para دام, o radical que contém a ideia de durabilidade. Estes rappers palestinos cantam em árabe, mas também em inglês e hebraico. Para os apreciadores do género, entre os quais me incluo vivamente há mais de duas décadas, a não perder, absolutamente.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A1.2 - Conjugação verbal . 5

Conjuntivo

Verbo كتب (kataba) - escrever


O conjuntivo é formado a partir da vocalização do imperfeito, que no caso deste verbo é يَكْتُبُ [yaktubu].

Singular


  1. أَكْتُبَ
    'aktuba

  2. تَكْتُبَ تَكْتُبي
    taktuba [m] taktubī [f]

  3. يَكْتُبَ تَكْتُبَ
    yaktuba [m] taktuba [f]

Dual

  1. ــــــــــــــــــ

  2. تَكْتُبا
    taktubā

  3. يَكْتُبا تَكْتُبا
    yaktubā [m] taktubā [f]

Plural

  1. نَكْتُبَ
    naktuba

  2. تَكْتُبو تَكْتُبْنَ
    taktubū [m] taktubna [f]

  3. يَكْتُبو يَكْتُبْنَ
    yaktubū [m] yaktubna [f]


Esquema da conjugação verbal árabe organizada à maneira árabe (talvez não aconselhável antes de ter a conjugação à ocidental dominada :D )

A1.2 - Sessão 02 - TPC

Trabalhos para casa para a sessão 03:

  • escrever 5 frases com أحب
  • escrever 5 frases com لا أحب
  • rever os numerais
  • rever as horas
  • listar vocabulário da folha distribuída na aula, separando substantivos, adjectivos, verbos, pronomes, preposições

A1.2 - Sessão 02 - 2008.10.29

1. Conversação

2. Sistema verbal

  • imperfeito do indicativo activo
A conjugação do imperfeito do indicativo activo pode ser vista e estudada aqui.


3. Oração integrante introduzida por أَنْ

A oração introduzida por أن ['an] usa-se, entre outras, em circunstâncias onde em português esperaríamos um infinitivo. Pode também equivaler a uma integrante:

أريد أن أذهبَ
['urîdu 'an 'aḏhaba]
Quero ir

أريد أن تذهبَ
['urîdu 'an taḏhaba]
Quero que tu (homem) vás

أريد أن تذهبي
['urîdu 'an taḏhabî]
Quero que tu (mulher) vás

N.B.: a partícula أن constrói-se com o modo conjuntivo, que no singular se distingue do indicativo apenas pela substituição do [u] final por um [a] em todas as pessoas excepto na 2ª feminina, em que o ـن [na] final desaparece.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Futebol na Palestina


A selecção de futebol da Palestina jogou pela primeira vez na sua terra. O adversário foi outra equipa árabe a Jordânia, e o resultado um empate, 1-1. O resumo em vídeo pode ser visto na página do Público. Fica aqui a notícia, porque este blogue também se faz disto.

domingo, 26 de outubro de 2008

A1.2 - Apresentações - André


Esta é a minha apresentação. Façam as vossas, e publiquem! Se não conseguirem introduzir os caracteres árabes, enviem em transcrição, que eu passo para o alfabeto árabe.

إسمي أنـدري، وأنا من البرتغال

عُمْري سبعة وثلاثونَ عاماً
أنا أستاذُ، أدرّس اللاتينية في جامعةِ لِشبونةَ
أُحِبُّ عملي لأنيّ أحب اللغةَ والأدبَ والتدريسَ


ʾismī André, wa-ʾanā mina l-Burtuġāl
ʿumrī sitta wa-ṯalāṯūn ʿām
ʾanā ʾustāḏ, ʾudarrisu l-lātīnīya fī jāmiʿat Lišbūna
ʾuḥibbu ʿamalī liʾannī ʾuḥibbu l-luġa wa-l-ʾadab wa-l-tadrīs


O meu nome é André, e sou de Portugal
A minha idade é de 37 anos
Sou professor, ensino Latim na Universidade de Lisboa
Adoro o meu trabalho, porque gosto da língua, da literatura, do ensino.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A1.2 - Sessão 01 - 2008.10.22

1. Apresentações
  • nome
  • nacionalidade
  • idade
  • estado civil
  • ocupação
Exemplos de apresentações aqui e aqui.
2. Alfabeto
  • reconhecimento de letras
  • vogais breves
  • exercícios de leitura
3. A negação da posse

ليس لي سيارة
[laysa lî sayyâra]
eu não tenho carro

A negação da posse com pronome afixo faz-se recorrendo à forma ليس , na 3ª pessoa do singular masculina, independentemente do sujeito do enunciado.

4. O verbo de negação de "ser" e "estar" no presente

A negação de "ser" e "estar" no presente faz-se recorrendo ao verbo ليس :


singular

لَسْتُ

لَسْتَ لَسْتِ

لَيسَ لَيسَتْ


plural

لَسْنا

لَسْتُم لَسْتُنَّ

لَيسوا لَسْنَ

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Conferências na FLUL


CONFERÊNCIAS
no âmbito da Exposição O Sahara: Patrimónios, Arte e Memória

DIVERSITÉ DES FORMES D’ADAPTATION CULTURELLE EN MILIEU SAHARIEN

Rachid Bellil
Centre National de Recherches Préhistoriques, Anthropologiques et Historiques
Ministério da Cultura da República Democrática e Popular da Argélia



Prof. Doutor João Soeiro
Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos de Música e Dança
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
27 de Outubro de 2008 — 16h00
Sala 5.2 – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa



Entrada Livre

Organização:
Centro de História da Universidade de Lisboa
(Linha de Investigação Modelos Identitários)
Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos «David Lopes»
Mestrado O Sul Ibérico e o Mediterrâneo

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Novos cursos - 2008 / 2009

O CLi inicia a partir desta semana os seus novos cursos de Árabe. Esperemos que sejam apenas os primeiros de muitos, para este ano!

Amanhã, dia 22, começa o módulo A1.2, com horário das 18:00 às 21:00, às Quartas.

No dia 27 começa o módulo de iniciação, A1.1, com horário das 18:00 às 21:00, às Segundas.

As salas não estão ainda definidas, por isso o encontro será na sala do CLi, salvo indicação em contrário por parte dos formadores ou do coordenador.

Estão ainda abertas inscrições para qualquer dos módulos.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Colóquio Internacional A Península Ibérica, o Magrebe e o Mediterrâneo e a Exposição O Sahara: Patrimónios, Arte e Memória,

Recebi por email a seguinte informação:

«Ex.mo(a) Senhor(a)
O Centro de História da Universidade de Lisboa vem por este meio divulgar o Colóquio Internacional A Península Ibérica, o Magrebe e o Mediterrâneo e a Exposição O Sahara: Patrimónios, Arte e Memória, organizados pelo Centro de História (no âmbito da sua linha de investigação em Modelos Identitários) em colaboração com o CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora), e coordenados pelo Prof. Doutor Hermenegildo Fernandes, investigador do C.H.U.L. O Colóquio, com o qual se pretende proceder ao lançamento do novo curso de mestrado O Sul Ibérico e o Mediterrâneo, leccionado entre a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e a Universidade de Évora, visa discutir aspectos vários da história e da cultura das duas margens do Mediterrâneo Ocidental, incidindo sobretudo sobre a Antiguidade e a Idade Média, e contará com a participação de vários especialistas portugueses e argelinos de reconhecido mérito. O Colóquio terá lugar nos dias 13 e 14 de Outubro, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras, e a Exposição decorrerá entre 13 e 31 do mesmo mês, no átrio da mesma instituição.»

UNESCO premeia o "coração árabe" do poeta e ensaísta português Adalberto Alves

Saiu no Público de hoje (página 18):


«UNESCO premeia o "coração árabe" do poeta e ensaísta português Adalberto Alves
09.10.2008, Margarida Santos Lopes

Os 22 mil euros
vão ajudar a financiar
uma enciclopédia para
a qual nenhuma embaixada
ou instituto cultural
quis contribuir

Adalberto Alves consegue precisar o momento em que se apaixonou pela cultura árabe. Foi aos cinco anos, quando viu o filme Ladrão de Bagdad, "não a versão muda" mas a que foi realizada em 1940 por Ludwig Berger, Michael Powell e Tim Whelan. Ontem, a UNESCO recompensou esse amor, mas também a sua "busca interior", que o levou a escrever "uns 30 e tal livros", como afirmou ao PÚBLICO, por telefone.

Autor de O Meu Coração é Árabe, provavelmente uma das suas obras mais conhecidas - "os leitores sentiram-se tocados como se tivessem reencontrado um parente perdido" - o poeta, ensaísta e tradutor português vai receber 22 mil euros, o valor do Prémio Sharjah para a Cultura Árabe, criado pela UNESCO em 1998.

A mesma quantia será atribuída ao egípcio Gabel Asfour, director da Fundação de Tradução Nacional no Cairo. A Asfour foi reconhecido o seu "importante papel na divulgação da cultura árabe pelo mundo" - é professor em universidades dos EUA, da Europa e do Médio Oriente.

A Adalberto Alves, director do Centro de Estudos Luso-Árabe, em Silves, a UNESCO enalteceu-o por ter "inspirado muitos escritores portugueses e espanhóis [um deles o romancista Pedro Plasencia, autor de El Tiempo de los Cerezos] a divulgar a história da cultura árabe do Gharb al-Andalus".

Hoje, o advogado que de dia trabalhava num banco e de noite "dormia pouco" para ir além do "romantismo e exotismo" do Ladrão de Bagdad, prepara um dicionário de palavras portuguesas de origem árabe (toponímia, antroponímia, léxico corrente e empréstimos semânticos), a publicar em 2009. Já havia um, de José Pedro Machado, mas este tem mais elementos, "ainda que não pretenda ser exaustivo, porque todos os dias o português recebe contribuições árabes, como Al-Qaeda/A Base).

Assim, se já sabíamos que "oxalá" derivava de Insh'Allah (Deus queira), ficamos a saber que os árabes nos deram a "bochecha" (mashash), o jorro (jara), o açaime (al-zimân), a febra (habra) ou o tamarindo (tamr al-hindi, tâmara do Índico). Como chegou ele aqui? "Consultando muitos dicionários e fontes árabes", língua que aprendeu na Universidade Nova, nos anos 1980.

Para fazer a necessária pesquisa e escrever este dicionário, o arabista bateu às portas de "várias embaixadas e instituições culturais". Nenhuma se abriu, lamenta. Agora parte do prémio será usada para pagar despesas como a compra da imprescindível Enciclopédia do Islão, "com 12 volumes e cada um a 150 contos".

O Prémio Sharjah deve o nome e fundos a um emirado do golfo Pérsico. Curiosamente, Sharjah é um dos raros territórios árabes que Adalberto Alves, de 69 anos, ainda não visitou. A sua atenção vira-se agora para o sufismo, o misticismo islâmico. "Se perguntarem se sou muçulmano digo que sim, mas também que sou hindu, porque acredito na unidade de todas as religiões."

Sharjah, o território que dá nome ao prémio, é um dos poucos lugares árabes que Adalberto Alves ainda não visitou.»